quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cinema - Àgora


Filme espanhol, mas falado em inglês, do diretor Alejandro Amenábar (Os Outros), narra os fatos ocorridos na passagem histórica que envolveram a destruição da biblioteca de Alexandria, através da vida de Hypatia, uma filosofa atéia.
É difícil descrever ou julgar uma pequena obra prima como este filme. A reconstituição de época é perfeita, desde o figurino até o cenário que se estende a uma animação panorâmica do mundo na época, sem falar da fotografia, da musica, dos costumes, tudo tratado com esmero e cuidado. Mas o ponto principal deste belo filme é a historia.
Hypatia existiu realmente e era uma mulher singular, brilhante demais para a época em que viveu. Astrônoma e matemática em uma época onde tudo que chamamos hoje de ciências eram apenas conjecturas, a sua busca por uma explicação de como o sistema solar funcionava era algo totalmente a frente de seu tempo, IV DC, tanto que apenas em 1609 a explicação surgiu através das 3 leis de Kepler.
O elenco do filme conta com Raquel Weisz no papel de Hypatia, e algumas surpresas agradáveis como Max Minghella (Um louco apaixonado) que está excelente no papel de Davus, o escravo de Hypatia, que nutre uma paixão platônica por ela e sofre por não conseguir conciliar seus sentimentos com os preceitos arbitrários que pregam os lideres do Cristianismo, a religião que agora ele segue.

Também uma bela atuação de Oscar Isaac (Hobin Hood) no papel de Orestes, ex-discípulo de Hypatia que nunca escondeu seu amor por ela o que lhe faz passar por dificuldades ao lidar com os conflitos políticos e religiosos que a cidade enfrenta e por ultimo mas não menos digna de ser citada é a atuação de Rupert Evans (Hellboy) no papel de Synesius, outro ex-discípulo de Hypatia, jovem cristão que não vê a ciência como problema e tenta ajudar a acabar com os violentos conflitos.

Àgora é um daqueles filmes que te faz pensar, descrevendo o cenário político e religioso da época, onde cristãos, pagãos e judeus passam de um convívio tenso a violentos conflitos.
Como um espelho que reflete o triste fato de que a humanidade não mudou muito neste ponto, que muito daquilo que você vê na tela, ainda é o que somos.

Guarda.


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